domingo, 23 de agosto de 2009

A Chegada ao Vietnam do Norte

Hanoi-Halong Bay-Sapa, 21st-27th of July, 2009

Introdução
Não sei se já repararam que há um pequeno (quase impreceptivel) desfazamento temporal entre a data de publicação de cada post do blog e a data escrita no inicio de cada post. Ora, este intervalo de tempo não é casual, mas sim propositado de modo a fazer crer ao leitor que estamos a curtir tanto, mas tanto, a viagem, que nem nos passa pela cabeça parar num recanto qualquer com internet para passar umas horas a escrever este empaleanço. A dura realidade (que tentamos a todo custo esconder) é que viajar é uma seca e preferimos muitooo mais passar mais tempo em frente ao computador, num cantinho de uma hostal, a descrever a viagem do que a viajar propriemente dito. Mas tal como nao se pode fazer uma omolete sem ovos, tambem nao se pode escrever sobre uma viagem que não se fez, o que gera aqui um paradoxo complexo. Resumindo, o nosso pedido de desculpas pelo atraso e prometemos tentar viajar menos e escrever mais (tentar!!, nao prometo mais que isso!). Obrigado.



Prólogo
Subitamente chegamos a Hanoi. Não foi assim tão subitamente, daí a existencia de um prologo. A chegada a Hanoi, feita por terra a partir da China (da cidade fronteiriça de Nanning), foi marcada pela utilização de um novo meio de transporte: o Sleeping Bus, ou do português: O Autocarro Cama. As espectativas eram mais altas. Afinal, o aspecto pouco rebuscado dos interiores totalmente de inox, asemelhavam-se terrivelmente ao interior de uma morgue, por mais tétrico que isto possa parecer. O tamanho de cada uma das camas individuais era suficiente para um chinês dos baixinhos, o que dificultou muito a vida para dois Portugueses espadaúdos de um metro e setenta e cinco. Depois do choque veio a aceitação, e com ela, um relaxamento (na medida do possivel) e uma tentativa frustrada de dormir até à fronteira de PingXiang que abriria as portas às 6 da manha do dia seguinte.


Hanoi

Chegar a Hanoi vindo de Saigão não choca ninguem. Chegar a Hanoi vindo das remotas e caóticas cidades Chinesas choca moderadamente. Mas chegar a Hanoi vindo de Hong Kong é como sair de uma opera de Verdi directamente para a gravação de um re-make do Big Show Sic. Os Chineses podem ser um povo sujo, desorganizado e um pouco rude, mas NADA que se compare ao povo Vietnamita. Hanoi é uma cidade extremamente caótica, suja, feia (ok, com a excepção do lago central e a sua parte circundante), com milhões de motociclos cada um com 4 ou mais passageiros (todos, obviamente sem capacete) que passam impunemente qualquer sinal vermelho, sinal de proibido, passeio, hall de entrada de hotel ou interior de cozinha de um restaurante. Típicamente eu fecharia os olhos e diria simplesmente num tom condescendente de semi-aprovação: "é cultural...é a cultura deles...", mas isto passa esse limite e irrita solenemente. O primeiro contacto com um taxista vietnamita logo à saida da nossa camioneta foi exemplar para ilustrar a cultura deles: Em primeiro lugar, era asseado e bem parecido, com uma aparencia cuidada e de elevado nivel de higiene... para alguem que passou os ultimos 5 anos como naufrago numa ilha; em 2º lugar, bem educado e civilizado...contam-se pelas patas de uma familia de centopeias as vezes que cuspiu da janela do taxi até à nossa hostal; em 3º lugar, um tipo honesto e bom anfitreão...contornou a larga extensao de lago (varios kms) à entrada do centro para voltar exatamente ao ponto de origem onde ficava a hostal; e em 4º lugar, deve ter sido um excelente aluno a matematica...o taximetro marcava 90.000 VND e ele disse prontamente: "It's 180.000 VND because you are 2 people". Depois desse Sr. veio a Sra. da hostal que nos informou que afinal o quarto que tinhamos marcado online por 8 USD afinal nao estava vago, mas que tinha um melhor por 12 USD e pôs isto de uma forma como se nos estivesse a fazer um favor monumental, dada a diferença de qualidade do quarto. Em seguida tentou impingir-nos 10 tours diferentes a preços exurbitantes. Ao inicio nem chateia muito, mas ao fim do nosso 4º ou 5º "No thanks" ela continua como se nada fosse na esperança de nos vencer pelo cansaço. E a verdade é que cansa mesmo. Uma vez mais, deve ser cultural. O "não", não deve existir na cultura Vietnamita.

Depois de um jantar razoavel com vista para o lago e de uma bebida num bar com vista para um movimentado cruzamento (onde pudemos apreciar a beleza da auto-organização do transito indiferente aos sinais, indicações, regras e leis) resolvemos partir cedo na manha seguinte para Halong Bay, patrimonio mundial da Unesco.

Halong Bay

Halong Bay é impressionante. No entanto deve ser bem mais impressionante para quem nunca esteve em Yangshuo ou Guiling, na China. São milhares de pinaculos de calcário que crescem do mar como se tivessem sido cuidadosamente plantados para criar uma ideia idilica de local encantado. Dentro de muitos desses pinaculos ha grutas cavadas pela erosão das águas cuja visita se torna obrigatoria. Ficamos a dormir num pequeno barco de recreio com um deck superior de madeira que transforma um pôr-do-sol num momento tão memoravel que toda a gente ali presente, inconscientemente, para de falar e contempla o horizonte durante longos minutos. Após o jantar, uma nova subida ao deck onde a temperatura exterior amena de 28ºC durante toda a noite, o céu estrelado a descoberto e o balancear das ondas proporcionam um serão que deve ser, provavelmente, o melhor tratamento anti-stress do mundo. Adicionalmente, e para não dizerem que isto é tudo pêra doce, no dia seguinte o despertar foi às 5:30am para ver o nascer do sol e, aínda antes do pequeno almoço, fazer kayak na água espelhada em torno destes gigantescos pedregulhos. Banho nas aguas quentes deste mar, sim, mas cuidado com as medusas. São mesmo muitas e medem 3 metros da cabeça ao final da cauda. As imagens de tudo o que está descrito acima falam por si.



Sapa

E por fim a ultima paragem programada da nossa passagem pelo Vietnam do Norte. Depois de uma viagem de regresso algo atribulada de autocarro (o numero de passageiros excedia largamente o numero de lugares disponiveis, como de costume) de Halong Bay para Hanoi, embacarmos de comboio (por sinal um dos melhores onde andamos até hoje) para Sapa, no norte, já muito perto da fronteira com a China. A viagem foi feita durante a noite e a chegada a uma terriola chamada Lao Cai foi por volta das 5 da manha. Daí segui-se um percurso de cerca de uma hora por paisagens de montanha, selva, bananeiras e longos planaltos de arrozais até à chegada a Sapa. Sapa vale pelo seu lado pitoresco. Aqui, ou antes, nas redondezas, podemos encontrar uma das maiores concentrações de tribos de minorias étnicas de todo o sudoeste asiático. Com as paisagens e com as tribos vieram naturalmente, os turistas. E com estes, veio a massificação, os restaurantes com "western menu", e o deturpar de uma cultura tribal que agora se transformou numa cultura de mercado e exploração comercial da pior espécie. Pena.



O curto tempo passado na parte norte do Vietnam só veio reforçar a minha teoria: há muitos lugares incrivelmente belos espalhados pelo mundo. Existe tambem aqui no Vietnam uma beleza natural única. Mas o que realmente faz a diferença entre a satisfação plena da vivência e uma experiência a não repetir, são as pessoas. E as pessoas no Vietnam parecem náo compreender que só têm uma única hipotese de criar uma boa primeira impressão.

sábado, 8 de agosto de 2009

Macau & Hong Kong: De regresso ao ocidente?

Macau & Hong Kong, 8th - 20th of July



Há mais de 1 mês que andamos pela estrada sem ouvir uma única palavra em português, para além das nossas conversas de patos viajantes! Deixámos para trás a nossa cultura, a nossa língua, a nossa comida, a nossa pátria com vontade de conhecer tudo aquilo, que é bem diferente do nosso Portugal. Portugueses esses, nem vê-los...

Mas foi com uma agradável surpresa, que chegámos a Macau, lá bem no fundo do Oriente, e sentimos algum conforto "à Tuga".

À chegada a Macau tudo se tornou mais simples, como o simples ler do nome de uma rua, onde o nome está escrito em ambas as línguas, chinês e português.



Desde que saímos de Portugal, ouvimos pela 1ª vez muita gente a falar português e vimos muita gente com a nossa "cara". Para além disso, ainda tivemos a oportunidade de matar saudades com uns pasteis de nata, sumol de laranja, croquetes, peixe grelhado, café Delta, livros e revistas portuguesas, etc...

Para além das famosas ruínas de S. Paulo e da calçada portuguesa, visitámos, também, o museu de Macau, que é de todo aconselhado pelo Pato. O museu compara a cultura chinesa e portuguesa em Macau e mostra como os portugueses se instalaram aqui.

"Alto! Sentido! Recorda por uns momentos a história linda da nossa pátria. Entra altivo e de cabeça erguida porque és soldado desta pátria!"

Sentimo-nos em casa...



Para além da cultura portuguesa, assim como as praias na ilha de Coloane, Macau é, sem dúvida, um destino ideal para os amantes do jogo. Macau enche-se, para além de turistas, de chineses ricos viciados no jogo. Aqui existem os melhores casinos, para todos os gostos e feitios. É uma verdadeira mini Las Vegas! Embora o pato não seja viciado, teve que, naturalmente, conhecer alguns dos mais badalados casinos de Macau, tais como o Lisboa, Grand Lisboa, Whynn, MGM, etc...

Mas os chineses não nos deixaram de surpreender! Para além de serem viciados no jogo, têm a mania das grandezas e resolveram criar uma réplica, em tamanho real, da Praça de S. Marcos de Veneza, numa zona, que toda ela está em cima da água (estreito entre Taipa e Coloane), e onde construiram o maior casino do mundo chamado The Venetian. Até de gôndola se pode andar.




Após ter gasto os últimos tostões no casino, o teso do pato ainda teve dinheiro para apanhar o ferry com destino a Hong Kong. A alternativa tinha sido ir a nado...

Ao chegar a Hong Kong esqueceu-se da cultura portuguesa e teve a sensação de estar em Nova York, ou Londres. Aí ficou maravilhado a apreciar os enormes arranha céus, tais como o IFC2 tower.


Hong Kong é uma grande e desenvolvida região no sul da China, bem diferente daquilo que estavamos habituados a ver ao longo do nosso percurso. Uma região ocidental no oriente, onde toda a gente fala inglês, onde há shopping malls por todo o lado, com as mais sofisticadas lojas e marcas, onde há filas, as pessoas não cospem para o chão e, tal, como em Inglaterra, há autocarros e trolleys de 2 andares.
A ilha de Hong Kong é de todas a mais agitada devido ao elevado número de nacionalidades diferentes que ali vivem. Só na margem norte da ilha vivem 4'7 Mio de pessoas. No total já são mais de 9 Mio. É Portugal inteiro num pedacinho de terra mais pequeno que o Algarve.
As vistas de Victoria Peak deixam qualquer pessoa deslumbrada.

Mas o pôr-do-sol junto ao porto não lhe fica atrás.

Meninas: o paraíso das falsificações ao preço da chuva fica em Kowloon onde se situa o Ladies Market (o nome diz tudo). Para além da ilha de Hong Kong, o pato visitou tambem a ilha de Lantau onde se pode visitar o maior buddha sentado do mundo bem como a ilha pescatoria de Tai O.


O pato já farto de visitas culturais deixou-se encantar pela Disney World onde reencontrou velhos amigos.

No entanto, nem tudo correu como esperado. O pato (como fã numero 1) deixou-se derreter pelo olhar doce da Minie e habilitou-se a perder umas penas já que o Mickey não gostou da brincadeira. Eu tentei atenuar a situação e expliquei ao Mickey que ele era apenas um simples e cansado pato viajante.
Depois de um dia de aventuras com todos os seus amigos, o pato saiu fascinado da Disney World preparando-se para uma vez mais se fazer à estrada.

Acaba aqui aprimeira fase da viagem... Venha o sudoeste asiático.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Yangshuo: The backpackers paradise

Yangshuo, 3rd - 7th of July, 2009

Chegámos àquele que é chamado o Backpackers Paradise da China. Está situado no sul da China, na provincia de Guangxi, cuja capital e Guilin.
Foi na chegada a Guilin, que nos deparámos com o mau tempo, que estava no sul da China. Tanto em Pequim, com em Xi'an morremos de calor. Não tinhamos a mínima ideia de que as cheias, causadas pelo mau tempo, ja tinham feito desaparecer cerca de 100 pessoas. Foi precisamente por causa das cheias, que não tivemos a possibilidade de visitar os famosos arrozais de Longshen, uma das maravilhas desta zona da China e talvez, dos mais bonitos do mundo.
A ideia inicial era partir de Guilin para norte, de forma a visitar os arrozais e depois, voltar a descer, mas agora de barco, pelo famoso rio Li até Yangshuo .
Uma vez que as estradas estavam cortadas e o rio estava com cheias, os patos enfiaram-se num autocarro e partiram para Yangshuo, deixando para tras a ideia dos arrozias de Longshen (fica para a próxima viagem à China).
Durante o caminho fomo-nos maravilhando com os pináculos completamente verdes, cheios de vegetação. O tempo melhorou ligeiramente, de tal forma, que nos permitiu dar passeios de bicicleta pela zona, descobrindo assim esta pequana maravilha chinesa.

O rio Li é de tal forma conhecido na China, que as notas de 20 yuans (ca. de 2€) mostram os famosos pináculos com o rio à frente. Os patos queriam ir nadar no rio Li, mas não foi possível. Como tal, lá se enfiaram num barco, mais a norte e foram descendo o rio completamente maravilhados...


Durante o caminho encontraram uns amigos voadores, cuja função é apenas ajudarem na pesca. Estes nossos amigos estão presos à canoa de bamboo e têm uma corda atada ao pescoço. Mal vêem um peixe tentam-no engolir, mas como a corda não deixa, o pescador rouba-lhes o peixe, para o poder vender no mercado.


Para além das maravilhas paisagísticas, Yangshuo conseguiu-nos deixar deliciados (ainda mais) com a comida. Desde as espetadinhas de rua, aos feijões picantes salteados, até ao frango e porco salteado no wok, colocaram a China no top da lista gastronómica da nossa viagem.

Os patos deliciaram-se...

domingo, 19 de julho de 2009

Xi'an - A demência do Imperador Quim

Xi'An, 1st-3rd of July, 2009


Ainda andava eu na escola e já ouvia dizer: "eiii obeláá, o Quim é um granda malucooo". Na altura isso nao me dizia nada, mas agora entendo tudo. Muito provavelmente, e como era tudo bons estudantes, estavam todos a referir-se não ao Quim Maluco, mas ao primeiro imperador chinês. Esse Sr., depois de unificar a China, subiu-se-lhe a mania das grandezas ao nariz qual Cristiano Ronaldo (pérola da Siberia, China, Vietnam, Tailandia e arredores, Embaixador e semi-Deus Português omnipresente em todo o sudoeste asiatico), e autoproclamou-se (!) Imperador, corria o formoso ano de AC 221. Esse mesmo Sr., aos 50 anos e às portas da morte, lembrou-se, e correctamente, que poderia correr algum risco na sua vida-apos-a-morte devido a todos os inimigos que foi acumulando na sua escalada ao poder e poderia eventualmente precisar de alguma protecção (sim, protecção depois de morto...). Assim sendo, ordenou à sua corte que, quando chegasse a sua hora, seriam enterrados com ele um exercito vivo (nao por muito tempo) que o acompanhasse ao outro mundo e lhe providenciasse protecção. Ora, se isto hoje em dia e mesmo com a quantidade de drogas alucinogenicas a venda por aí, já parece algo rebuscado, na altura foi mesmo o auge. Valeu para a historia a sanidade mental de um dos mais chegados conselheiros do Imperador que sugeriu que não fossem enterrados os soldados propriamente dito, mas sim replicas em tamanho real, feitas em terracotta (uma lama transformada em barro e cozida no forno). Apesar de alguma resistencia (uma vez que o Quim, e justificadamente, nao entendia como é que guerreiros inertes e inanimados o iriam proteger), o Imperador lá cedeu. Ainda assim, ele queria algo à sua imagem...Grandisoso! Segundo reza a historia chinesa, foram necessarios 700,000 homens (foi nesta altura que foi criada a expressao "trabalho para chines") para construir à mão o seu bundle pack "maosoleu+exercito". Curiosamente todos os registos perderam-se no tempo e durante mais de 2000 anos ninguem se lembrou de referir o facto. Em 1974 um pobre campones da provincia de Shaanxi, a cerca de 30km de Xi'an resolve abrir um poço no seu campo de cultivo e acidentalmente decapitou um dos soldados que se encontrava uma dezena de metros abaixo dele...esperemos que o facto nao tenha irritado o Quim.
O Pato esteve lá e testemunhou a loucura. É realmente algo digno de ser apreciado.

Apesar do mito urbano da produção em série chinesa e da fraca qualidade dos seus produtos, note-se que não há um único guerreiro igual a outro e que o estado de preservação é notorio. Cada um tem a sua propria expressao facial, a sua farda distinta e a sua arma. Inclusivamente, cada um deles foi pintado à mão para aparentarem a sua sosia humana. Infelizmente a terra foi comendo as cores e agora são todos de um palido castanho terra.


Outro facto curioso da questão, é que o próprio Quim aínda nao foi encontrado. A sua localizaçao provavel é conhecida, mas a dificuldade das escavações e a delicadeza necessaria (que tambem nao é o forte do povo chinês) impediram até hoje que algum tipo de prospecção fosse tentada. Foi nessa altura que o Pato se relembrou da sua veia de arqueologo e definiu um dos seus objectivos de vida: Encontrar o Quim (ou pelo menos ajudar)!


Posto isto, Xi'an nao é muito mais do que o exercito de Terracotta, apesar de ter mais alguns atractivos: as ruelas crivadas de comerciantes do alheio peritos em mercados negros, cinzentos e escuros em geral, as milhares (serão milhões?) de barraquinhas de comida de rua espalhadas por toda a parte, alguns dos melhores frutos secos que o Pato comeu desde que saiu de casa, bem como, provavelmente o establecimento da Häagen Dazs mais quitado (e caro!) de toda a asia (com o Strawberry-Cheesecake a valer 4eur/scoop...nem para ricos, quanto mais para os tesos da volta ao mundo).


Xi'an marca tambem o final de uma etapa na viagem. Ao fim de cerca de 8000km de comboio desde St. Petersburg, muitas massas instantanias e muitas noites passadas ao balancear das linhas ferreas Russas, Mongois e Chinesas, o Pato cedeu às pressões da Era moderna, e voou para Guiling.

sábado, 18 de julho de 2009

Pato à Pequim/ Beijing Duck: Hellôô, cheaper for u, you are the boss, you say how much!

Beijing, 26th -30th of June 2009

Agora que já nao estamos na China, podemos, finalmente, escrever sobre este país, que em tantas coisas nos fascinou: história, cultura, comida, temperatura, paisagens e mentalidade.
Os blogs são proibidos na China e, como tal, o governo chines nao nos autorizou a publicas posts. Tivemos que aguardar pela entrada no Vietname.

Após termos passado o deserto da Mongolia entramos, finalmente, na China, onde fomos recebidos com música classica europeia e com oficiais chineses, todos eles preparados para nos verificarem os passaportes.
Na primeira estação da China, em Erlian, o pato ficou completamente abismado, enquanto assistia a troca da bitola (nome tecnico, porque em bom português chamaria-se "rodas do comboio"). Os amigos russos e, por arrasto, os mongois, gostam de ser diferentes e, então, desenvolveram as linhas ferreas com larguras diferentes do resto do mundo. Conclusão: o comboio com mais de 15 vagoes foi todo separado, inclusivé a locomotiva. Cada uma destas partes foi elevada por 4 macacos hidraulicos (2 de cada lado) e as "rodas russas e mongois" foram substituidas pela bitola chinesa, que deve ter o mesmo tamanho da portuguesa.
Na chegada a Pequim, o pato secou pela primeira vez em toda a sua viagem! 38ºC! Acabou o frio das noites mongois e da Sibéira.
Pequim e uma cidade enorme, com uma neblida que paira sistematicamente sobre a cidade. Os chineses dizem que faz parte do calor. Nos achamos que era poluição... E uma cidade limpa, onde tudo brilha e tudo é novo, o verdadeiro resultado de um investimento gigante para os jogos olimpicos de 2008. Os chineses de Pequim tentam ser civilizados, pois tiveream aulas (com videos nas estações de metro) para aprenderem a não cuspir para o chão, não andar de pijama na rua, como formar uma fila, etc.

As primerias impressoes:
O 1º choque: a confusao de um transito muito barulhento. (mal sabiamos nos o que era o Vietname)
O 1º pensamento: "Estes tipos sao completamente atrasados mentais a andar de carro" (nunca tinhamos visto vietnamitas a andar de carro, mota, ou qualquer outro veículo com rodas!)
A 1ª impressão: Os chineses falam muito alto e ainda cospem para o chão (nunca tinhamos visto um vietnamita...)

O pato entrou em Pequim com algum receio, pois ouviu falar no famoso "Pato a Pequim" (prato tradicional da zona, absolutamente delicioso). Andava assustado, com medo de o confundirem e de o depenarem.. Mas, ao longo da estadia, foi-se acalmando, pois ficou maravilhado com as iguarias chinesas, que estão à venda numas espetadinhas deliciosas, nos mercados de rua, espalhados pela cidade.

Para além destes petiscos, existe, de facto, comida chinesa muito boa, que esta longe daquilo que nos servem nos restaurantes chineses em Portuagal. (Agora que já estamos no sudoeste asiático e ja saímos da China, afirmamos que a melhor comida até agora, foi, sem duvida, a chinesa. Para já, e numero 1 no ranking!)

Ao longo da estadia na capital chinesa, o pato fez questão de ir tirar uma fotografia com o grande líder, o Presidente Mao, as portas da Cidade Proibida, de frente para a Tianamen Square. Aí teve um "deja vu", pois recordou-se da sua visita a Praça Vermelha, em Moscovo, onde foi cumprimentar o Grande e, também ele comunista, Lenin! Todos estes grandes senhores de esquerda têm direito a um mausoleu na praça mais imponente da capital do seu país.

Mesmo com muito calor, o pato visitou toda a Cidade Proibida e ficou maravilhado com a grandiosidade da arquitectura chinesa, com os seus telhados ricos e coloridos.

O pato tinha, finalmente, chegado a um país muito barato e cheio de coisas falsificadas para comprar... e foi nesses mercados que se perdeu. Aqui conheceu a verdadeira arte do comércio chines, onde se aprende a como "regatear o preço final em menos 200%, do preço inicial, dado pelo vendedor chines".
O processo e o seguinte:
O turista entra no mercado e é logo abafado por mil vendedores chineses que tentam, sem parar, vender qualquer bagatela, por 5 vez mais, do que o preço justo. Como o turista não tem olhos em bico, não se safa e tem que gramar com eles (a China tem a maior população do mundo, logo há comerciantes por toda a parte). Ora vejamos:
" Hellôô! Where are u from?", ao qual o pato responde com orgulho: "Portugal!".
O chines, como sempre no seu estado normal, ri-se e não diz nada. Mas como o pato e muito simpatico, da uma ajudinha: "Do you know Portugal? In Europe, near Spain!", isto para não dizer: Do you know Cristiano Ronaldo?..."
Bem, o chines fica na mesma e responde: "You are very nice!"
Entretanto, o pato ja pegou, p.ex., numa caneta Montblanc hiper falsificada e pergunta: "How much for this?" e o chines remata com um preço sem nexo. Como o pato não e burro, responde logo: "Too much, very expensive".
E então aqui, que os papeis se invertem e o comerciante chines, com medo de perder a potencial venda de uma bagatela falsificada, responde:
"Cheaper for u. You are the boss, you say how much!!!" Por momentos, até pensamos que somes chefes deles, impossivel... O chines passa-nos a máquina calculadora para as mãos, para digitarmos o preço final pela falsificacao. E aqui que começa o duelo comercial, onde nós mostramos algum interesse pela compra, mas NUNCA desvendamos o preço final, pelo qual estamos dispostos a comprar. O comerciante chines, já desesperado e com medo de perder a venda, vais descendo cada vez mais o preço, ate o limite em que já nao pode mais, pois, caso contrário, iria perder dinheiro. E é assim que se compram porcarias na China!



Durante as compras, o pato enfrentou alguns inimigos e até houve uma situação em que pôs uma vendedora a chorar...

Se o Benfica ganhar para na próxima época, prometo que vou a Fátima a pé!
Para quem quiser fazer promessas a sério e como deve ser, aqui vai uma sugestão: Fazer o percurso de Jinshaling a Simatai. São apenas 10km por uma muralha nos arredores de Pequim, com temperaturas na ordem dos 38ºC, onde nem sempre há degraus para subir ou descer...
O pato subiu, desceu e voltou a subir, morreu de calor, bebeu litros de água, esfolou as patas, perdeu penas mas, ao fim 10o km disse: CONSEGUI, sobrevivi ao desafio da muralha da China!!



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A Alma do Pato Viajante

Viajar é, provavelmente, a palavra que nos ocorre sempre que é mais difícil de o fazer e, ao mesmo tempo, é a palavra que nos faz sonhar. Tipicamente sonhamos com praias paradisíacas, sítios bem longe do nosso continente, ou então, para não ficarmos ignorantes, sonhamos ir a Paris, Roma, Londres e Madrid. Estas são as cidades que tipicamente se visitam antes de se fazer um grande viagem.
Quem é mais aventureiro ainda procura fazer um safari no Quénia, ou mergulho no mar vermelho sem barbatanas, mas, sabendo sempre que se vai regressar a casa, ao conforto, à segurança e se vai lembrar de todas as boas recordações dessa viagem
Mas quem gosta de viajar, sabe que esta palavra tem um significado ainda maior. Quem tem a alma de viajante sonha com a liberdade de partir e nunca parar no mesmo sítio, mais do que o tempo suficiente para se sentir bem e fazer parte daquele local, de conhecer novas pessoas, culturas, línguas, mundos e sentimentos.

Viajar sempre foi sinónimo de conhecimento e enriquecimento. Hoje, mais do que nunca, as pessoas anseiam por conhecer diferentes povos e culturas, para mais tarde, daqui a 10, 20 ou 30 anos, guardarem para si um conhecimento e cultura, que nem sempre o nosso dia a dia nos pode dar.
Após sabermos o que queremos conhecer, há que pensar nos recursos. O que levar? Quanto queremos gastar?
A regra básica da bagagem é muito simples. Quanto mais levamos, mais carregamos e, quanto mais carregamos, mais difícil é movimentarmo-nos. Há muitas escadas para subir e para descer, nem sempre há elevadores e as escadas rolantes nem sempre chegaram a todos os países. Por isso, e especialmente para as meninas: pouca roupa, pouca tralha, o saco de cama é um bom aliado e o canivete suíco também!
Quanto ao dinheiro, isso depende de quanto cada um tiver disposto a gastar. Tipicamente, quando viajamos (entenda-se viajar por algum tempo e não "tirar umas férias") o espírito não é ficar em hoteis de 5 estrelas, ou de ter grandes mordomias, pois estamos em constante movimentação.
Para quem não quer gastar muito dinheiro e pretende assim conter alguns custos, pode, por exemplo, fazer viagens de longa duração durante a noite, pois assim, economiza uma dormida.
De comboio, carro, autocarro, barco ou avião, é sempre possível viajar até onde for humanamente possível.


Há quem goste de viajar sozinho, apenas com a sua própria companhia. De alguma forma, esta talvez seja a melhor maneira de conhecer pessoas ao longo do percurso. Sozinho fica-se mais livre para se fazer o que se apetece. Quando viajamos acompanhados temos, por vezes, que ceder aos desejos dos outros, mas, por outro lado, temos sempre alguém com quem partilhar as maravilhas que vamos conhecendo.

É ao longo das viagens que crescemos e aprendemos bastante. Tornamo-nos em pessoas mais atentas, conscientes, criativas e inspiradoras. É durante elas que libertamos os nossos dogmas e estereótipos criados nas nossas cabeças.

Boa viagem!