quarta-feira, 26 de agosto de 2009

No trilho dos Budhas: Laos - Luang Prabang

Laos: Luang Prabang, 29th - 31st of July

Prólogo:

Eu sei que isto não é um foto blog, mas as recordações do Laos, nomeadamente, de Luang Prabang, são mais que muitas e, penso que nem todas estas fotos conseguem transmitir o que vimos, comemos, ou sentimos...

Luang Prabang:

Os ananáses do Laos são (até agora) indiscutivelmente os melhores do mundo... ah, e os mais baratos, para nem falar, que as senhoras que os vendem por 4 cents de €, os descascam para nós. Bem... foi uma bela dieta à base de ananás. Poderia tentar explicar porque é que são tão saborosos, mas é difícil... Vale a pena vir ao Laos só por causa deste fruto e não só...

Para finalizar, na foto que podem ver em baixo, após o corte estar completo, sobrou um prato cheio de sumo, que dava para encher, à vontade, dois copos cheios... Que saudades...


A chegada a Luang Prabang deu-nos a conhecer um dos meios de transporte ainda desconhecidos por nós, mas muito característico do sudoeste asiático. Chama-se Tuk Tuk e é, nada mais nada menos, uma mota, com um compartimento semi aberto atrás, que pode levar passageiros. As malas, ora vão dentro do compartimento com os passageiros (quando há espaço e não somos 15 pessoas), ou então passam para cima, para o telhado deste veícluo. O motorista é tipicamente um senhor, que tenta a todo o custo, angariar passageiros para os levar a todo o lado.



O Laos e, neste caso Luang Prabang, é uma cidade muito devota às suas crenças budistas. Há templos por toda a parte e os monges enchem a cidade de cor de laranja. O pato rendeu-se às evidências do budismo


e fartou-se de passeas pelos "Wats", ou templos mais impressionantes da cidade.


É, de facto, um estilo budista bem diferente daquele que estavamos habituados a ver na China e que se podia encontrar por toda a parte. Os telhados são mais simples que os chineses, mas os dourados brilham por toda a parte e as cobras e os dragões são uma ameaça constante.



Deixámos-nos perder pela cidade para entender porque é que Luang Prabang é património mundial da Unesco.


Temos que confessar que, no que toca as delicias gastronómicas, não foi só o ananás que nos deslumbrou. Os sumos, ou então os chamados "Fruit Shakes" mataram a nossa tentativa de dieta. Estes copinhos cheios de fruta, que podem ver na fotografia em baixo, são misturados com leite condensado e outras coisas óptimas, que tornam este conjunto de fruta num espesso shake absolutamente fantástico e delicioso. Isto por apenas 40 cents de €...

Havia o tradicional shake de ananás

e outros mais, como por exemplo, de rambutam (nao conheco o nome oficial portugues)

Bananas

Lima

Dragon Fruit (que, por muita tristeza nossa era vermelha! Toda a gente sabe que os dragões são azuis!)

Ameixas

Melão
Manga
Côco
Durian
Não sei o nome desta fruta, mas é muito boa

Não sei o nome e também não provei, mas era muito frequente

O estilo colonial francês dá um encanto enorme a Luang Prabang e deixou-nos ainda mais apaixonados pela cidade!

Uma das maiores "atracções" de Luang Prabang é a cerimonia de oferta de comida aos monges, uma vez que estes são o elo de ligação entre os que já partiram e Budha. Foi assim que resolvemos acordar bem cedinho, pelas 5 da matina, para ver as filas de monges cor de laranja desfilar pelas ruas da cidade. Desta forma assistimos a uma das cerimonias mais místicas, que alguma vez vimos ao longo da nossa viagem.



A descoberta de Luang Prabang é, sem duvida, uma obrigação para quem anda à descoberta do sudoeste asiático!!

A dura prova de Điện Biên Phủ

Sapa, Vietnam (->Điện Biên Phủ->Muang Khua) ->Oudômxai, Laos, 27th-29th of July, 2009


Prólogo
Há muitas historias sobre a celebre fronteira de Tay Trang mas tipicamente são rematadas ou precedidas com um: "Aiii..Uiii...não vão por aí...olha, uma vez......", tipicamente proferidas por pessoas que nunca a atravessaram mas conhecem alguem que tem um primo cujo amigo já atravessou e diz que disse ser o pior que se pode imaginar. ORA, tinhamos que experimentar. E porquê? Bem, 1º, estavamos em Sapa, no Vietnam e queriamos ir para Luang Prabang, no Laos, e, se olharem para qualquer mapa podem constatar que a passagem por Điện Biên Phủ é que fica "mais à mão". Em 2º lugar, porque conhecemos duas pessoas que já tinham por lá passado (pessoalmente!) e que nos disseram que o que se perde em conforto ganha-se em paisagem e emoção (ambas comprovadissimas à posteriori). Em 3º lugar, porque usando apenas ligaçoes de camionetas locais o preço da viagem ficava por menos de metade do que fazendo um novo detour por Hanoi (sim, tesice extrema num país onde tudo é barato...bem vindo ao espirito da volta ao mundo). E por fim em 4º lugar, porque uma viagem sem um pouco de aventura não traz historias que valham a pena serem contadas. Posto isto, compramos o primeiro bilhete (Sapa->Điện Biên Phủ) e partimos.

Sapa->Điện Biên Phủ
Saída a correr aínda de madrugada do nosso Hosteling International dado que a mini-van com aspecto extremamente duvidoso (daquelas de 12 lugares) se antecipou em 15minutos e estavam com muita pressa para sair. Instalamo-nos em dois lugares do banco corrido trazeiro ao lado de um Sr. com um aspecto bastante vivido. Não havia espaço para os pés uma vez que havia sacos de 50kg de arroz a preencher os poucos espaços da carrinha. Não era muito confortavel, mas pensamos: "deve ser uma curta ligação nesta lata velha até à camioneta que vai levar até à fronteira...". Estavamos completamente enganados. Aquela ERA a camioneta que nos ia transportar até à fronteira num percurso superior a 300 tortuosos kilometros. À parte dos 50% de percurso em terra batida, que deixa marcas memoraveis no traseiro de qualquer um, a 2ª maior recordação é a facilidade aparente com que os septuagenarios (e septuagenarias) locais trepam os bancos e os sacos empilhados dentro do veículo para chegarem ao seu lugar, tudo em andamento. Está comprovado que o consumo exagerado de arroz é o próprio elixir da juventude. A paisagem é, durante todo o percurso, recheada dos mais belos arrozais da região, rodeados por palmeiras e bananeiras com pequenas nuvens a pairarem nas suas copas. Vale mais esta viagem do ponto de vista paisagistico do que passar 3 semanas a conhecer a região envolvente de Sapa. As paragens obrigatorias para comer e "mudar a água às azeitonas" eram efectuadas em "restaurantes de beira de estrada" ou se preferirem, "tascas no meio do monte", como comprova a foto abaixo do restaurante e da sua cozinheira.


Ao fim de 9h de viagem lá chegamos a Điện Biên Phủ, a mítica cidade da historia Vietnamita onde os Viet Minh derrotaram os Franceses em 1954 e se proclamaram livres do dominio colonial Francês.

Para quem cá quiser vir sem o incomodo desta opção de transporte, pode tambem voar uma vez que tambem há um pequeno aeroporto nesta terra. Nós avistamo-lo à chegada. Pareceu-nos um pouco menos frenético do que o de Frankfurt ou o de Heathrow, dado a quantidade de gado que pastava impunemente na erva que se alastrava por toda a pista de aterragem.

Điện Biên Phủ -> Muang Khua -> Oudômxai
Mal chegamos a Dien Bien Phu, por volta das 5pm, pensamos: "vamos meter-nos já numa camioneta que atravesse a fronteira aínda hoje e ficamos já a dormir no Laos". Uma vez mais, este pensamento só mostra a nossa ingenuidade e falta de conhecimento de causa... Após questionarmos qual a próxima camioneta a sair para o Laos foi-nos dito que não havia nenhuma ligação no proprio dia mas apenas no dia seguinte às 5:30am. "Ahh..pois, estou a ver. Isso parece-me bastante cedo. E qual é a próxima a seguir a essa?". Acontece que a póxima era passado 2 dias e tambem às 5:30 da manha. Ficamos um pouco incredulos com aquela informação. Talvez fosse um problema linguistico. Ao fim de mais umas tentativas junto da estação de camionagem lá nos acreditamos e compramos o bilhete. "A fronteira é apenas a 40km de distancia de Dien Bien Phu, e depois deve ser um tirinho até Luang Prabang... vai ser canja." Crentes. As acomodações em Dien Bien Phu são exatamente aquilo que se espera delas: uma pocilga com um colchão no meio. Dadas as condições, o preço de 2eur/noite/pessoa pareceu-nos uma exorbitância.
No dia seguinte, às 5:25 da manha, olhavamos incrédulos para o nosso meio de transporte. Eles: "Têm moxilas? Com certeza, vai na parte de cima". Nós: "Na parte de cima? e a chuva?". Eles: "Nós pomos uns plasticos. Molhava-se mais se fossem cá dentro". Ficamos por ali e as malas subiram para o tejadilho. Aquela camioneta levava tudo o que se pode imaginar: camponeses com sacos de cereais, vendedoras com sacos de roupa para vender, trolhas com as respectivas pás e equipamento pesado de construção, e nós, com as nossas duas moxilas. Já tinhamos andado em autocarros bastante cheios, mas nada que se comparasse. Todo o espaço do autocarro estava literalmente ocupado ou com pessoas ou com sacos. Sacos enormes no chão. Sacos mais pequenos em cima dos grandes. Pessoas em cima dos sacos pequenos. Pessoas no colo umas das outras. Havia inclusivamente uma Sra. que ia praticamente no colo do motorista. Nós, com um espirito inabalavel encaixamo-nos entre o motorista e uma caixa de ferramentas, ao lado de um enorme saco de arroz sobre o qual se sentava uma manicure que passou meia viagem a dormir encostada aos meus joelhos. Espetacular.

A viagem até à fronteira foi agradavel e bastante rapida. Ainda nao eram 6:30 da manha já estavamos a carimbar passaportes e à espera tranquilamente que o oficial da alfandega verificasse as mercadorias do topo do veículo (como podem ver na foto abaixo).
Na seguinte, podem ver alguns dos nossos companheiros de viagem que trabalhavam no Laos na construção, e que se faziam acompanhar de um cachimbo artesanal de aço inox com meio metro de comprimento que não hesitavam acender a cada paragem. Está encontrado o motivo de tanta felicidade, mesmo para quem faz este percurso duas vezes por semana. Eles, bastante hospitaleiros, insistiram bastante para que nos sentassemos e fumasse-mos tambem o cachimbo da paz, mas nós, depois de mais um olhar cuidadoso para um cachimbo com o aspecto de um morteiro, educadamente recusamos.

Às 7 da manha estavamos no Laos. Agora eram apenas 60km até uma terriola chamada Muang Khua. Ora, 60km, a uma média de 30km/h (conservadora), "duas horitas e estamos lá!". Chegamos a Muang Khua às 2 da tarde...! O percurso de 60km é inteiramente feito por um caminho de lama pelo meio da selva. Os atolamentos na lama e a necessidade de transpor rios são uma constante. As, tambem constantes, ravinas verticais ao lado do autocarro só se transformam em verdadeiramente aterradoras quando vemos o resultado de um deslizamento de terras lá no fundo que arrastou consigo uma parte significativa de selva. Se nos conseguirmos abstrair disso, a paisagem é única, como nenhum sitio onde eu tenha estado antes, no meio da floresta tropical virgem. A melhor forma de nos abstrairmos é confiar nos locais. Nenhum deles aparentava a minima inquietação. Alguns dormiam copiosamente, como eu nunca tinha visto dormir: literalmente aos saltos e com a cabeça a bater com semelhante violência nos vidros que ecoava em todo o autocarro. Nem isso os acordava. Não sei o que é que eles tanto fumam daquele cachimbo para aguentar este tratamento de beleza semanal, mas deve ser uma bombinha caseira. Se soubesse na fronteira o que me esperava talvez tivesse repensado a oferta do cachimbo.
Vamos a fotos para ver se consigo ilustrar 10% do que estou a tentar descrever.






Note-se que na foto anterior todos os passageiros sairam da carrinha e atravessaram o rio pela ponte de bambu. Enquanto isso, o motorista e o seu ajudante montaram pacientemente um snorkle no tubo de escape e atravessaram tranquilamente o rio com água pelos tornozelos. Daí eles dizerem que as malas em cima se molhavam menos.



Finalmente, por volta das 2 da tarde, e após 7h de uma massagem Vietcong, chegamos a Muang Khua. Excepto o facto de estarmos do lado oposto do rio e sem ponte. E não era propriamente um rio calminho e estreito. Era daqueles castanho-escuros largos, ao estilo do amazonas, com uma corrente tão forte em que não me surpreenderia ver um tronco arrancado da margem a aparecer do nada. Não há problema. Há sempre um pescador/agricultor/operador-de-ferry-em-part-time que disponibiliza travessias no seu barco/canoa com meio metro de largura, com um motor honda de 8cv, fabricado em 1932, pela módica quantia de 2000 kips (ora, 8 cêntimos).


Atravessado o rio temos novamente que pagar, desta vez por um tuk-tuk que nos leve até ao local de onde partem as camionetas em direcção a Oudômxai. Depois foi só esperar, comer (por sinal, descobrimos logo aí que o melhor ananás do mundo é, muito provavelmente, o do Laos, e custou 4 cêntimos...cada ananás...descascado e arranjado), e ficar maravilhado com o autocarro que nos esperava. Era o luxo em pessoa. Era "dos grandes"! Tinha assentos! Um para cada pessoa! Com excepção claro daqueles que, por força de se terem atrasado, teriam que ir sentados em 3ª classe, em cima dos sacos que ocupavam o corredor.


A viagem lá continuou paulatinamente até Oudômxai, sem grandes sobresaltos, com a excepção de que metade das pessoas lá dentro (incluindo as duas Sras. à nossa frente) vomitaram frequente e compulsivamente pela janela deixando um rasto de comida que se espalhava por 3 vidros e apanhava por vezes de surpresa os mais incautos que iam de cabeça de fora. O motivo era óbvio. A estrada de montanha até Oudômxai faz a nossa velhinha estrada nacional 230 que atravessa o Caramulo parecer uma autoestrada. A recompensa disto tudo são as paisagens, e o "ter estado lá". Se isto não é viajar, então o que é?

domingo, 23 de agosto de 2009

A Chegada ao Vietnam do Norte

Hanoi-Halong Bay-Sapa, 21st-27th of July, 2009

Introdução
Não sei se já repararam que há um pequeno (quase impreceptivel) desfazamento temporal entre a data de publicação de cada post do blog e a data escrita no inicio de cada post. Ora, este intervalo de tempo não é casual, mas sim propositado de modo a fazer crer ao leitor que estamos a curtir tanto, mas tanto, a viagem, que nem nos passa pela cabeça parar num recanto qualquer com internet para passar umas horas a escrever este empaleanço. A dura realidade (que tentamos a todo custo esconder) é que viajar é uma seca e preferimos muitooo mais passar mais tempo em frente ao computador, num cantinho de uma hostal, a descrever a viagem do que a viajar propriemente dito. Mas tal como nao se pode fazer uma omolete sem ovos, tambem nao se pode escrever sobre uma viagem que não se fez, o que gera aqui um paradoxo complexo. Resumindo, o nosso pedido de desculpas pelo atraso e prometemos tentar viajar menos e escrever mais (tentar!!, nao prometo mais que isso!). Obrigado.



Prólogo
Subitamente chegamos a Hanoi. Não foi assim tão subitamente, daí a existencia de um prologo. A chegada a Hanoi, feita por terra a partir da China (da cidade fronteiriça de Nanning), foi marcada pela utilização de um novo meio de transporte: o Sleeping Bus, ou do português: O Autocarro Cama. As espectativas eram mais altas. Afinal, o aspecto pouco rebuscado dos interiores totalmente de inox, asemelhavam-se terrivelmente ao interior de uma morgue, por mais tétrico que isto possa parecer. O tamanho de cada uma das camas individuais era suficiente para um chinês dos baixinhos, o que dificultou muito a vida para dois Portugueses espadaúdos de um metro e setenta e cinco. Depois do choque veio a aceitação, e com ela, um relaxamento (na medida do possivel) e uma tentativa frustrada de dormir até à fronteira de PingXiang que abriria as portas às 6 da manha do dia seguinte.


Hanoi

Chegar a Hanoi vindo de Saigão não choca ninguem. Chegar a Hanoi vindo das remotas e caóticas cidades Chinesas choca moderadamente. Mas chegar a Hanoi vindo de Hong Kong é como sair de uma opera de Verdi directamente para a gravação de um re-make do Big Show Sic. Os Chineses podem ser um povo sujo, desorganizado e um pouco rude, mas NADA que se compare ao povo Vietnamita. Hanoi é uma cidade extremamente caótica, suja, feia (ok, com a excepção do lago central e a sua parte circundante), com milhões de motociclos cada um com 4 ou mais passageiros (todos, obviamente sem capacete) que passam impunemente qualquer sinal vermelho, sinal de proibido, passeio, hall de entrada de hotel ou interior de cozinha de um restaurante. Típicamente eu fecharia os olhos e diria simplesmente num tom condescendente de semi-aprovação: "é cultural...é a cultura deles...", mas isto passa esse limite e irrita solenemente. O primeiro contacto com um taxista vietnamita logo à saida da nossa camioneta foi exemplar para ilustrar a cultura deles: Em primeiro lugar, era asseado e bem parecido, com uma aparencia cuidada e de elevado nivel de higiene... para alguem que passou os ultimos 5 anos como naufrago numa ilha; em 2º lugar, bem educado e civilizado...contam-se pelas patas de uma familia de centopeias as vezes que cuspiu da janela do taxi até à nossa hostal; em 3º lugar, um tipo honesto e bom anfitreão...contornou a larga extensao de lago (varios kms) à entrada do centro para voltar exatamente ao ponto de origem onde ficava a hostal; e em 4º lugar, deve ter sido um excelente aluno a matematica...o taximetro marcava 90.000 VND e ele disse prontamente: "It's 180.000 VND because you are 2 people". Depois desse Sr. veio a Sra. da hostal que nos informou que afinal o quarto que tinhamos marcado online por 8 USD afinal nao estava vago, mas que tinha um melhor por 12 USD e pôs isto de uma forma como se nos estivesse a fazer um favor monumental, dada a diferença de qualidade do quarto. Em seguida tentou impingir-nos 10 tours diferentes a preços exurbitantes. Ao inicio nem chateia muito, mas ao fim do nosso 4º ou 5º "No thanks" ela continua como se nada fosse na esperança de nos vencer pelo cansaço. E a verdade é que cansa mesmo. Uma vez mais, deve ser cultural. O "não", não deve existir na cultura Vietnamita.

Depois de um jantar razoavel com vista para o lago e de uma bebida num bar com vista para um movimentado cruzamento (onde pudemos apreciar a beleza da auto-organização do transito indiferente aos sinais, indicações, regras e leis) resolvemos partir cedo na manha seguinte para Halong Bay, patrimonio mundial da Unesco.

Halong Bay

Halong Bay é impressionante. No entanto deve ser bem mais impressionante para quem nunca esteve em Yangshuo ou Guiling, na China. São milhares de pinaculos de calcário que crescem do mar como se tivessem sido cuidadosamente plantados para criar uma ideia idilica de local encantado. Dentro de muitos desses pinaculos ha grutas cavadas pela erosão das águas cuja visita se torna obrigatoria. Ficamos a dormir num pequeno barco de recreio com um deck superior de madeira que transforma um pôr-do-sol num momento tão memoravel que toda a gente ali presente, inconscientemente, para de falar e contempla o horizonte durante longos minutos. Após o jantar, uma nova subida ao deck onde a temperatura exterior amena de 28ºC durante toda a noite, o céu estrelado a descoberto e o balancear das ondas proporcionam um serão que deve ser, provavelmente, o melhor tratamento anti-stress do mundo. Adicionalmente, e para não dizerem que isto é tudo pêra doce, no dia seguinte o despertar foi às 5:30am para ver o nascer do sol e, aínda antes do pequeno almoço, fazer kayak na água espelhada em torno destes gigantescos pedregulhos. Banho nas aguas quentes deste mar, sim, mas cuidado com as medusas. São mesmo muitas e medem 3 metros da cabeça ao final da cauda. As imagens de tudo o que está descrito acima falam por si.



Sapa

E por fim a ultima paragem programada da nossa passagem pelo Vietnam do Norte. Depois de uma viagem de regresso algo atribulada de autocarro (o numero de passageiros excedia largamente o numero de lugares disponiveis, como de costume) de Halong Bay para Hanoi, embacarmos de comboio (por sinal um dos melhores onde andamos até hoje) para Sapa, no norte, já muito perto da fronteira com a China. A viagem foi feita durante a noite e a chegada a uma terriola chamada Lao Cai foi por volta das 5 da manha. Daí segui-se um percurso de cerca de uma hora por paisagens de montanha, selva, bananeiras e longos planaltos de arrozais até à chegada a Sapa. Sapa vale pelo seu lado pitoresco. Aqui, ou antes, nas redondezas, podemos encontrar uma das maiores concentrações de tribos de minorias étnicas de todo o sudoeste asiático. Com as paisagens e com as tribos vieram naturalmente, os turistas. E com estes, veio a massificação, os restaurantes com "western menu", e o deturpar de uma cultura tribal que agora se transformou numa cultura de mercado e exploração comercial da pior espécie. Pena.



O curto tempo passado na parte norte do Vietnam só veio reforçar a minha teoria: há muitos lugares incrivelmente belos espalhados pelo mundo. Existe tambem aqui no Vietnam uma beleza natural única. Mas o que realmente faz a diferença entre a satisfação plena da vivência e uma experiência a não repetir, são as pessoas. E as pessoas no Vietnam parecem náo compreender que só têm uma única hipotese de criar uma boa primeira impressão.

sábado, 8 de agosto de 2009

Macau & Hong Kong: De regresso ao ocidente?

Macau & Hong Kong, 8th - 20th of July



Há mais de 1 mês que andamos pela estrada sem ouvir uma única palavra em português, para além das nossas conversas de patos viajantes! Deixámos para trás a nossa cultura, a nossa língua, a nossa comida, a nossa pátria com vontade de conhecer tudo aquilo, que é bem diferente do nosso Portugal. Portugueses esses, nem vê-los...

Mas foi com uma agradável surpresa, que chegámos a Macau, lá bem no fundo do Oriente, e sentimos algum conforto "à Tuga".

À chegada a Macau tudo se tornou mais simples, como o simples ler do nome de uma rua, onde o nome está escrito em ambas as línguas, chinês e português.



Desde que saímos de Portugal, ouvimos pela 1ª vez muita gente a falar português e vimos muita gente com a nossa "cara". Para além disso, ainda tivemos a oportunidade de matar saudades com uns pasteis de nata, sumol de laranja, croquetes, peixe grelhado, café Delta, livros e revistas portuguesas, etc...

Para além das famosas ruínas de S. Paulo e da calçada portuguesa, visitámos, também, o museu de Macau, que é de todo aconselhado pelo Pato. O museu compara a cultura chinesa e portuguesa em Macau e mostra como os portugueses se instalaram aqui.

"Alto! Sentido! Recorda por uns momentos a história linda da nossa pátria. Entra altivo e de cabeça erguida porque és soldado desta pátria!"

Sentimo-nos em casa...



Para além da cultura portuguesa, assim como as praias na ilha de Coloane, Macau é, sem dúvida, um destino ideal para os amantes do jogo. Macau enche-se, para além de turistas, de chineses ricos viciados no jogo. Aqui existem os melhores casinos, para todos os gostos e feitios. É uma verdadeira mini Las Vegas! Embora o pato não seja viciado, teve que, naturalmente, conhecer alguns dos mais badalados casinos de Macau, tais como o Lisboa, Grand Lisboa, Whynn, MGM, etc...

Mas os chineses não nos deixaram de surpreender! Para além de serem viciados no jogo, têm a mania das grandezas e resolveram criar uma réplica, em tamanho real, da Praça de S. Marcos de Veneza, numa zona, que toda ela está em cima da água (estreito entre Taipa e Coloane), e onde construiram o maior casino do mundo chamado The Venetian. Até de gôndola se pode andar.




Após ter gasto os últimos tostões no casino, o teso do pato ainda teve dinheiro para apanhar o ferry com destino a Hong Kong. A alternativa tinha sido ir a nado...

Ao chegar a Hong Kong esqueceu-se da cultura portuguesa e teve a sensação de estar em Nova York, ou Londres. Aí ficou maravilhado a apreciar os enormes arranha céus, tais como o IFC2 tower.


Hong Kong é uma grande e desenvolvida região no sul da China, bem diferente daquilo que estavamos habituados a ver ao longo do nosso percurso. Uma região ocidental no oriente, onde toda a gente fala inglês, onde há shopping malls por todo o lado, com as mais sofisticadas lojas e marcas, onde há filas, as pessoas não cospem para o chão e, tal, como em Inglaterra, há autocarros e trolleys de 2 andares.
A ilha de Hong Kong é de todas a mais agitada devido ao elevado número de nacionalidades diferentes que ali vivem. Só na margem norte da ilha vivem 4'7 Mio de pessoas. No total já são mais de 9 Mio. É Portugal inteiro num pedacinho de terra mais pequeno que o Algarve.
As vistas de Victoria Peak deixam qualquer pessoa deslumbrada.

Mas o pôr-do-sol junto ao porto não lhe fica atrás.

Meninas: o paraíso das falsificações ao preço da chuva fica em Kowloon onde se situa o Ladies Market (o nome diz tudo). Para além da ilha de Hong Kong, o pato visitou tambem a ilha de Lantau onde se pode visitar o maior buddha sentado do mundo bem como a ilha pescatoria de Tai O.


O pato já farto de visitas culturais deixou-se encantar pela Disney World onde reencontrou velhos amigos.

No entanto, nem tudo correu como esperado. O pato (como fã numero 1) deixou-se derreter pelo olhar doce da Minie e habilitou-se a perder umas penas já que o Mickey não gostou da brincadeira. Eu tentei atenuar a situação e expliquei ao Mickey que ele era apenas um simples e cansado pato viajante.
Depois de um dia de aventuras com todos os seus amigos, o pato saiu fascinado da Disney World preparando-se para uma vez mais se fazer à estrada.

Acaba aqui aprimeira fase da viagem... Venha o sudoeste asiático.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Yangshuo: The backpackers paradise

Yangshuo, 3rd - 7th of July, 2009

Chegámos àquele que é chamado o Backpackers Paradise da China. Está situado no sul da China, na provincia de Guangxi, cuja capital e Guilin.
Foi na chegada a Guilin, que nos deparámos com o mau tempo, que estava no sul da China. Tanto em Pequim, com em Xi'an morremos de calor. Não tinhamos a mínima ideia de que as cheias, causadas pelo mau tempo, ja tinham feito desaparecer cerca de 100 pessoas. Foi precisamente por causa das cheias, que não tivemos a possibilidade de visitar os famosos arrozais de Longshen, uma das maravilhas desta zona da China e talvez, dos mais bonitos do mundo.
A ideia inicial era partir de Guilin para norte, de forma a visitar os arrozais e depois, voltar a descer, mas agora de barco, pelo famoso rio Li até Yangshuo .
Uma vez que as estradas estavam cortadas e o rio estava com cheias, os patos enfiaram-se num autocarro e partiram para Yangshuo, deixando para tras a ideia dos arrozias de Longshen (fica para a próxima viagem à China).
Durante o caminho fomo-nos maravilhando com os pináculos completamente verdes, cheios de vegetação. O tempo melhorou ligeiramente, de tal forma, que nos permitiu dar passeios de bicicleta pela zona, descobrindo assim esta pequana maravilha chinesa.

O rio Li é de tal forma conhecido na China, que as notas de 20 yuans (ca. de 2€) mostram os famosos pináculos com o rio à frente. Os patos queriam ir nadar no rio Li, mas não foi possível. Como tal, lá se enfiaram num barco, mais a norte e foram descendo o rio completamente maravilhados...


Durante o caminho encontraram uns amigos voadores, cuja função é apenas ajudarem na pesca. Estes nossos amigos estão presos à canoa de bamboo e têm uma corda atada ao pescoço. Mal vêem um peixe tentam-no engolir, mas como a corda não deixa, o pescador rouba-lhes o peixe, para o poder vender no mercado.


Para além das maravilhas paisagísticas, Yangshuo conseguiu-nos deixar deliciados (ainda mais) com a comida. Desde as espetadinhas de rua, aos feijões picantes salteados, até ao frango e porco salteado no wok, colocaram a China no top da lista gastronómica da nossa viagem.

Os patos deliciaram-se...

domingo, 19 de julho de 2009

Xi'an - A demência do Imperador Quim

Xi'An, 1st-3rd of July, 2009


Ainda andava eu na escola e já ouvia dizer: "eiii obeláá, o Quim é um granda malucooo". Na altura isso nao me dizia nada, mas agora entendo tudo. Muito provavelmente, e como era tudo bons estudantes, estavam todos a referir-se não ao Quim Maluco, mas ao primeiro imperador chinês. Esse Sr., depois de unificar a China, subiu-se-lhe a mania das grandezas ao nariz qual Cristiano Ronaldo (pérola da Siberia, China, Vietnam, Tailandia e arredores, Embaixador e semi-Deus Português omnipresente em todo o sudoeste asiatico), e autoproclamou-se (!) Imperador, corria o formoso ano de AC 221. Esse mesmo Sr., aos 50 anos e às portas da morte, lembrou-se, e correctamente, que poderia correr algum risco na sua vida-apos-a-morte devido a todos os inimigos que foi acumulando na sua escalada ao poder e poderia eventualmente precisar de alguma protecção (sim, protecção depois de morto...). Assim sendo, ordenou à sua corte que, quando chegasse a sua hora, seriam enterrados com ele um exercito vivo (nao por muito tempo) que o acompanhasse ao outro mundo e lhe providenciasse protecção. Ora, se isto hoje em dia e mesmo com a quantidade de drogas alucinogenicas a venda por aí, já parece algo rebuscado, na altura foi mesmo o auge. Valeu para a historia a sanidade mental de um dos mais chegados conselheiros do Imperador que sugeriu que não fossem enterrados os soldados propriamente dito, mas sim replicas em tamanho real, feitas em terracotta (uma lama transformada em barro e cozida no forno). Apesar de alguma resistencia (uma vez que o Quim, e justificadamente, nao entendia como é que guerreiros inertes e inanimados o iriam proteger), o Imperador lá cedeu. Ainda assim, ele queria algo à sua imagem...Grandisoso! Segundo reza a historia chinesa, foram necessarios 700,000 homens (foi nesta altura que foi criada a expressao "trabalho para chines") para construir à mão o seu bundle pack "maosoleu+exercito". Curiosamente todos os registos perderam-se no tempo e durante mais de 2000 anos ninguem se lembrou de referir o facto. Em 1974 um pobre campones da provincia de Shaanxi, a cerca de 30km de Xi'an resolve abrir um poço no seu campo de cultivo e acidentalmente decapitou um dos soldados que se encontrava uma dezena de metros abaixo dele...esperemos que o facto nao tenha irritado o Quim.
O Pato esteve lá e testemunhou a loucura. É realmente algo digno de ser apreciado.

Apesar do mito urbano da produção em série chinesa e da fraca qualidade dos seus produtos, note-se que não há um único guerreiro igual a outro e que o estado de preservação é notorio. Cada um tem a sua propria expressao facial, a sua farda distinta e a sua arma. Inclusivamente, cada um deles foi pintado à mão para aparentarem a sua sosia humana. Infelizmente a terra foi comendo as cores e agora são todos de um palido castanho terra.


Outro facto curioso da questão, é que o próprio Quim aínda nao foi encontrado. A sua localizaçao provavel é conhecida, mas a dificuldade das escavações e a delicadeza necessaria (que tambem nao é o forte do povo chinês) impediram até hoje que algum tipo de prospecção fosse tentada. Foi nessa altura que o Pato se relembrou da sua veia de arqueologo e definiu um dos seus objectivos de vida: Encontrar o Quim (ou pelo menos ajudar)!


Posto isto, Xi'an nao é muito mais do que o exercito de Terracotta, apesar de ter mais alguns atractivos: as ruelas crivadas de comerciantes do alheio peritos em mercados negros, cinzentos e escuros em geral, as milhares (serão milhões?) de barraquinhas de comida de rua espalhadas por toda a parte, alguns dos melhores frutos secos que o Pato comeu desde que saiu de casa, bem como, provavelmente o establecimento da Häagen Dazs mais quitado (e caro!) de toda a asia (com o Strawberry-Cheesecake a valer 4eur/scoop...nem para ricos, quanto mais para os tesos da volta ao mundo).


Xi'an marca tambem o final de uma etapa na viagem. Ao fim de cerca de 8000km de comboio desde St. Petersburg, muitas massas instantanias e muitas noites passadas ao balancear das linhas ferreas Russas, Mongois e Chinesas, o Pato cedeu às pressões da Era moderna, e voou para Guiling.